ADULTO? MAS UM MENINO
Dentro de mim bate às portas o desejo de brincar
Ao mesmo tempo o de poder tornar-me um homem de cabelos grisalhos
Com uma família maravilhosa
Filhos em volta da mesa numa ceia noturna
Alguém que possa escutar as palavras dos meus sonhos
Um lar onde o amor transborde
Volto ao passado e me arrependo do tempo da minha infância
Porque eu não vivi integralmente o passado
Onde eu estava preso?
Eu não sabia onde estava e nem aonde iria
O presente é uma minúscula fração de tempo
O passado e o futuro são uma monstruosa soma dele
Como calcular isso?
Jaz a minha cabeceira os meus atos passados
O que devo me assombra o futuro
Eu sonhava em acabar com as coisas de menino
Mas hoje gostaria de voltar ao passado
E me tornar parte dele
Mas só sei que poderei viver tal ser
Através de outro ser
Onde sentirei o mesmo prazer que deixei
A mesma alegria que não sinto mais
E dar-lhe o que não tive
Vai-se o meu desejo
Não vivo mais para mim
Vivo para um ser imaginário
Assim junto forças para prosseguir
Porque ainda não sei onde estou
Nem para onde vou
Vivo o que não sou ainda